Universidade tem papel central no desenvolvimento da economia solidária

O primeiro encontro do Grupo de Trabalho (GT) “Universidade e Sociedade”, da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), reuniu professores e professoras na noite desta quarta-feira (7/11) para lançar um olhar crítico sobre a produção científica no Brasil e discutir estratégias de desenvolvimento da economia solidária.

“Como podemos fazer uma pesquisa diferenciada numa sociedade que exige cada vez mais o produtivismo?”, provocou o professor Renato Dagnino, pesquisador na Universidade Estadual de Campinas na área de Ciência e Tecnologia. Dagnino discorreu sobre o “O Bovarismo Científico & Tecnológico Brasileiro”, com os debatedores Ricardo Neder, coordenador do Núcleo de Ciência, Tecnologia e Sociedade do CEAM (Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares) e Gilberto Tedéia, pesquisador na área de filosofia política contemporânea no Departamento de Filosofia da UnB.

O Bovarismo na ciência, segundo Dagnino, pode ser observado pela autoimagem deturpada da comunidade acadêmica. “Nossa agenda de ensino, pesquisa e extensão tem que ser definida de forma coerente com o futuro que queremos construir”, disse o pesquisador, que criticou o distanciamento entre o discurso e a práxis no ambiente universitário.

Os professores discutiram ainda a importância da extensão universitária e da interdisciplinaridade para o avanço da economia solidária.  Ana Paula Vidal Bastos, professora do Departamento de Gestão em Políticas Públicas da UnB, compartilhou sua experiência na Universidade Federal do Pará. “Tínhamos um impacto direto na vida das pessoas, com ações como a organização do extrativismo.  As comunidades nos viam como uma tábua de salvação da ignorância. Temos, enquanto acadêmicos, um papel relevante na economia solidária, principalmente junto às cidades menores”, considerou.

Gilberto Tedéia sugeriu a criação da disciplina ‘metodologia da extensão’  como obrigatória em todos os cursos. “ Temos que começar pela extensão universitária. Estamos num lugar privilegiado, cujo projeto de fundação já era um projeto crítico. Estamos no interior de uma universidade que pode dar respostas”, ressaltou o professor.

Para participar do GT ‘Universidade e Sociedade’, basta escrever para a secretaria da ADUnB no e-mail adunbss@unb.br. O Grupo promoverá reuniões mensais no sindicato.

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‘Crise política e universidade’ é tema de debate na ADUnB

Para debater a crise política e a universidade brasileira, o Grupo de Trabalho “Universidade e Sociedade” e o Núcleo de Políticas, Ciência, Tecnologia, Sociedade do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM), convidam para o evento “O Bovarismo Científico & Tecnológico Brasileiro”, nesta quarta-feira (7/11), às 17h30 na sede da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB).

Renato Dagnino, professor e pesquisador na Universidade Estadual de Campinas, é o conferencista convidado. Com pós-doutorado na Universidade de Sussex, na Inglaterra, Dagnino tem extensa produção acadêmica sobre Ciência e Tecnologia no Brasil e na América Latina. Como debatedores, a ADUnB recebe os professores Ricardo Neder, coordenador do Núcleo de Ciência, Tecnologia e Sociedade do CEAM, e Gilberto Tedéia, pesquisador na área de filosofia política contemporânea no Departamento de Filosofia da UnB.

Antes do debate, será exibido o documentário “Driblando a Democracia”, sobre a disseminação de fake news e a manipulação de dados na campanha de Donald Trump. O filme investiga a metodologia de trabalho do diretor da campanha de Trump e assessor da campanha de Jair Bolsonaro, Steve Bannon.

O evento pretende formular interpretações histórico-críticas relacionadas à crise política atual e às universidades, e apontar estratégias de enfrentamento e resistência ao estreitamento da autonomia política na realização de projetos de produção científica e tecnológica.

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