Assédio Moral: violência repetida que adoece

A violência invisível, a repetição que configura o assédio e as implicações das agressões psicológicas na carreira do docente e na saúde psíquica dos professores e funcionários da Universidade de Brasília, de outros órgãos públicos e do mercado de trabalho em geral foram temas debatidos na oficina realizada ontem (29) pelo GT Trabalho e Saúde.

O auditório da ADUnB reuniu docentes de diferentes unidades e departamentos para a oficina “Assédio Moral ao Docente na UnB: Como Reconhecer? O Que Fazer” organizada pelo coordenador do GT, professor Mário César Ferreira. Proferiram palestras para os participantes da oficina a professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Margarita Barreto, autora do livro “Assédio Moral – Gestão por Humilhação”, e a coordenadora do projeto Práticas em Clínicas do Trabalho, Laene Pedro Gama, psicóloga que atua com promoção da saúde do servidor no Decanato de Gestão de Pessoas UnB. O primeiro secretário da ADUnB, Cláudio Lorenzo, abriu a mesa de trabalhos reafirmando a importância da oficina na abordagem de um tema que é um silencioso “tabu.”

Em sua palestra (veja aqui na íntegra), Margarida Barreto respondeu aos questionamentos que nortearam a oficina: como reconhecer o assédio? O que fazer? Segundo a especialista, o primeiro passo é identificar a violência. A professora explica que violência não é sinônimo de conflito no ambiente de trabalho. “Na violência eu quero dominar o outro, eu quero impor ao outro minha vontade.” O segundo passo é a reincidência. O assédio moral se caracteriza pela repetição da violência. “Quando eu entro em uma organização, eu estou vendendo minha força de trabalho, mas eu não estou vendendo minha dignidade, meus valores. Repetição da violência é assédio e todo assédio tem um objetivo, eu não digo saia, eu te forço a sair.”

No campo do “o que fazer”, Margarida indica a resistência. Apesar de a atitude do assediador ter a intenção de provocar a saída ou a desistência do assediado, a especialista afirma que o trabalhador não pode se sentir culpado pelo “não desempenho”, pela “criação de desvalores” por parte do agressor. Como não existe enquadramento jurídico para o assédio, a especialista recomenda que o assediado produza provas, faça gravações de áudio ou vídeo que comprovem as agressões, pois os relatos ficam muitas vezes no limite da subjetividade.

ADOECIMENTO POR DEPRESSÃO

Laene Pedro Gama apresentou números do estudo epidemiológico Saúde do Servidor da Universidade de Brasília. O trabalho dividiu o total de afastamentos por motivos de saúde registrados entre docentes e funcionários da universidade por agrupamento de CID (Classificação Internacional de Doenças) e categorias de adoecimento provocado pela depressão.

A partir dos estudos, foi criada, em 2014, a clínica do trabalho, com o objetivo de acompanhar as causas do adoecimento, entre elas, o assédio moral. Laene afirma que os docentes ainda buscam pouco o apoio da Coordenadoria de Atenção à Saúde e Qualidade de Vida (CASQV), órgão responsável por monitorar e sugerir políticas de apoio. “A adesão da docência à CASQV é limitada.” 

A psicóloga explicou que a concorrência interna, fruto de bases produtivistas que analisam o trabalho pelo viés do tripé ensino, pesquisa e extensão, precisa ser gerida com critérios institucionais. A CASQV, informa Laene (veja aqui a entrevista), produzirá uma cartilha “psicoeducativa” com informações que ajudarão docentes e funcionários a reconhecer o assédio, tratar os sintomas desencadeados pela violência e também trará orientações sobre como agir nas situações de agressão.

Confira aqui o depoimento da professora Fabíola Zuchhi, da Faculdade de Medicina, sobre a oficina promovida pelo GT.

 

LEGISLAÇÃO

Atualmente, apenas o assédio sexual é enquadrado pelo Código Penal (artigo 216) como um crime. Projeto de Lei do Senado apresentado em 2001 propõe que o assédio moral seja considerado uma violação. As integrantes do Coletivo Nacional Assédio Nunca Mais Maura Lúcia Gonçalves e Shirley Couto participaram da oficina promovida pelo GT da ADUnB e informaram que o grupo está pressionando para que o Congresso retome as discussões da proposição. “Nós temos assédio moral que tem levado ao suicídio, ao autoextermínio”, afirma Maura.

 

EVIDÊNCIAS DO ASSÉDIO

(segundo Margarida Barreto)

 

Limitar a comunicação do trabalhador com o coletivo de trabalho

O trabalhador é impedido de se expressar, seus companheiros são proibidos de conversar com o assediado

 

Limitar o contato social

O trabalhador é isolado, ocorrência de mudanças de função

 

Desprestigiar pessoal ou profissionalmente

O assediador dissemina rumores, fofocas sobre o assediado, o ridiculariza em público ou a portas fechadas

 

Reduzir tarefas

Não são passadas tarefas ao assediado ou são repassados trabalhos de pouca relevância ou incompatíveis com a formação

 

Comprometer a saúde física e psíquica

O assediado é submetido a trabalhos perigosos, é assediado sexualmente ou agredido fisicamente

 

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Último dia de inscrições para a oficina “Assédio Moral ao Docente”

Termina hoje o prazo de inscrições para a oficina “Assédio Moral ao Docente na UnB: Como reconhecer? O que fazer?” O evento ocorrerá no Auditório da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), das 14h às 18h do dia 29 de novembro (quinta-feira).

As inscrições podem ser feitas pelo Formulário Eletrônico.

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Universidade tem papel central no desenvolvimento da economia solidária

O primeiro encontro do Grupo de Trabalho (GT) “Universidade e Sociedade”, da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), reuniu professores e professoras na noite desta quarta-feira (7/11) para lançar um olhar crítico sobre a produção científica no Brasil e discutir estratégias de desenvolvimento da economia solidária.

“Como podemos fazer uma pesquisa diferenciada numa sociedade que exige cada vez mais o produtivismo?”, provocou o professor Renato Dagnino, pesquisador na Universidade Estadual de Campinas na área de Ciência e Tecnologia. Dagnino discorreu sobre o “O Bovarismo Científico & Tecnológico Brasileiro”, com os debatedores Ricardo Neder, coordenador do Núcleo de Ciência, Tecnologia e Sociedade do CEAM (Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares) e Gilberto Tedéia, pesquisador na área de filosofia política contemporânea no Departamento de Filosofia da UnB.

O Bovarismo na ciência, segundo Dagnino, pode ser observado pela autoimagem deturpada da comunidade acadêmica. “Nossa agenda de ensino, pesquisa e extensão tem que ser definida de forma coerente com o futuro que queremos construir”, disse o pesquisador, que criticou o distanciamento entre o discurso e a práxis no ambiente universitário.

Os professores discutiram ainda a importância da extensão universitária e da interdisciplinaridade para o avanço da economia solidária.  Ana Paula Vidal Bastos, professora do Departamento de Gestão em Políticas Públicas da UnB, compartilhou sua experiência na Universidade Federal do Pará. “Tínhamos um impacto direto na vida das pessoas, com ações como a organização do extrativismo.  As comunidades nos viam como uma tábua de salvação da ignorância. Temos, enquanto acadêmicos, um papel relevante na economia solidária, principalmente junto às cidades menores”, considerou.

Gilberto Tedéia sugeriu a criação da disciplina ‘metodologia da extensão’  como obrigatória em todos os cursos. “ Temos que começar pela extensão universitária. Estamos num lugar privilegiado, cujo projeto de fundação já era um projeto crítico. Estamos no interior de uma universidade que pode dar respostas”, ressaltou o professor.

Para participar do GT ‘Universidade e Sociedade’, basta escrever para a secretaria da ADUnB no e-mail adunbss@unb.br. O Grupo promoverá reuniões mensais no sindicato.

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Inscrições abertas para a oficina “Assédio Moral ao Docente: como reconhecer? O que fazer?”

O Grupo de Trabalho (GT) Saúde do Trabalhador Docente promoverá, no dia 29 de novembro, a oficina “Assédio Moral ao Docente: como reconhecer? O que fazer?.” O evento ocorrerá das 14h às 18h, no Centro Cultural da ADUnB.

Especialistas convidados pelo GT proferirão palestra sobre o Perfil Epidemiológico e Violência Psicológica no Trabalho. A oficina contará também com a participação da professora Margarita Barreto, autora do livro “Assédio Moral – Gestão por Humilhação”. A professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo falará sobre as causas, manifestações, consequências e formas de abordagem psicossocial do assédio laboral.

Para participar da oficina, os docentes podem ser inscrever via formulário eletrônico, no endereço https://goo.gl/forms/LuFphYkvdv9iUO1F3.

O coordenador do GT Saúde do Trabalhador Docente, Mário César Ferreira, convida os professores (veja o vídeo) a participarem dos debates. “É uma valiosa oportunidade. Poderemos debater um conjunto de problemas, entre eles a relação trabalho e saúde.”

 

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‘Crise política e universidade’ é tema de debate na ADUnB

Para debater a crise política e a universidade brasileira, o Grupo de Trabalho “Universidade e Sociedade” e o Núcleo de Políticas, Ciência, Tecnologia, Sociedade do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM), convidam para o evento “O Bovarismo Científico & Tecnológico Brasileiro”, nesta quarta-feira (7/11), às 17h30 na sede da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB).

Renato Dagnino, professor e pesquisador na Universidade Estadual de Campinas, é o conferencista convidado. Com pós-doutorado na Universidade de Sussex, na Inglaterra, Dagnino tem extensa produção acadêmica sobre Ciência e Tecnologia no Brasil e na América Latina. Como debatedores, a ADUnB recebe os professores Ricardo Neder, coordenador do Núcleo de Ciência, Tecnologia e Sociedade do CEAM, e Gilberto Tedéia, pesquisador na área de filosofia política contemporânea no Departamento de Filosofia da UnB.

Antes do debate, será exibido o documentário “Driblando a Democracia”, sobre a disseminação de fake news e a manipulação de dados na campanha de Donald Trump. O filme investiga a metodologia de trabalho do diretor da campanha de Trump e assessor da campanha de Jair Bolsonaro, Steve Bannon.

O evento pretende formular interpretações histórico-críticas relacionadas à crise política atual e às universidades, e apontar estratégias de enfrentamento e resistência ao estreitamento da autonomia política na realização de projetos de produção científica e tecnológica.

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Grupos de Trabalho serão ferramentas da gestão participativa da ADUnB

Professores da UnB se reuniram na sede do sindicato para debater os principais temas de interesse da comunidade acadêmica que permearão a atuação da diretoria da ADUnB. Sete eixos temáticos foram apresentados como pontos preliminares aos docentes. Os professores apontaram aperfeiçoamentos e sugeriram matérias correlatas à pauta inicial da associação.

O objetivo do sindicato é construir a agenda de assuntos de forma coletiva. No encontro, os professores ressaltaram que a comunidade acadêmica precisa resgatar seu poder de mobilização interna para aplicar a potencialidade dos saberes que a UnB reúne em prol da categoria.

O segundo passo, após o debate, é receber dos professores que demonstraram interesse em compor os Grupos de Trabalho indicação de novos nomes e sugestões de datas e horários para a realização de novos encontros e definição do cronograma de ações.

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Professor: venha compor os GTs da ADUnB

A vida acadêmica não se resume à construção das ciências e à transferência dos conhecimentos aos universitários. Com o objetivo de ampliar a participação dos professores e professoras no processo de representação sindical, a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) estruturou sete eixos temáticos que serão guias da atuação do Sindicato.

Pelo viés social, a diretoria pretende ouvir e debater com seus associados assuntos que versam raça, gênero e diversidade; movimento docente; universidade e sociedade e arte e cultura. A rotina funcional dos professores será discutida nos eixos que abordarão a saúde do trabalhador docentes; carreira e progressão e relações institucionais e vida cotidiana.

A definição da composição dos Grupos de Trabalho que atuarão nos 7 eixos da ADUnB ocorrerá sexta-feira, às 16h, na sede do Sindicato.

 

CONFIRA OS EIXOS TEMÁTICOS:

 

Saúde do trabalhador docente

Promoção da saúde dos professores e professoras (estímulo a atividade física, proteção da voz, alimentação e lazer);

Saúde mental e trabalho;

Política de assistência;

Planos de Saúde.

 

Raça, gênero e diversidade

Combate ao preconceito e discriminação no ambiente universitário;

Promoção da diversidade;

Combate à violência de gênero e ao assédio sexual;

Apoio jurídico contra o racismo, o sexismo e a violência.

 

Carreira e progressão

Política salarial;

Política previdenciária;

Aposentadoria – defesa de direitos e integração na comunidade;

Carreira docente e progressão funcional.

 

Relações institucionais e vida cotidiana

Relações entre unidades e departamentos;

Mediação de conflitos;

Programa de benefícios a associados (convênios com escolas, criação de brinquedotecas e creches; aulas de pilates, yoga).

 

Movimento docente

Programa de expansão de filiação;

Memória e história do movimento;

Formação para atividade sindical.

 

Arte e Cultura

Políticas culturais (sarau, festas);

Atividades artísticas (exposições, concertos, cinema, teatro, literatura);

 

Universidade e sociedade

Estratégias de mobilização da categoria;

Universidade e política governamental para a educação pública;

Universidade, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

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