O Sindicato dos trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintifub) respondeu na tarde desta quinta-feira (19) ao artigo publicado pelo professor Luiz Martins no portal da Secretaria de Comunicação. Na avaliação do comando de greve, a matéria publicada pela Secom representa a tentativa de enfraquecer as reivindicações e ações promovidas. A polêmica foi iniciada na última sexta-feira (13), após publicação da reportagem, que noticiou o pagamento de ajuda de custo aos integrantes do comando de greve. Conforme a nota, o sindicato interpreta ainda que a reportagem apresentou números sem comprovação e configura uma tentativa em desmoralizar o Sintifub.
Leia a integra da resposta do Sintifub.
Prezado Professor Luiz Martins,
Bela matéria, de sua autoria, intitulada “Finalmente, um portal público”, com a qual concordamos em grande parte. No entanto, parece que foge a sua consideração alguns fatos fundamentais.
A matéria publicada pela SECOM, com o título “O jetom do sindicato dos servidores”, de acordo com nosso entendimento, usou meticulosa e propositalmente o termo “jetom”, para tentar desmoralizar o sindicato. Como é do conhecimento de todos, esse termo está impregnado de sentido extremamente negativo, de tal forma que passou a ser utilizado com a finalidade de depreciar moralmente algo ou alguém. Principalmente em razão da onda de corrupção que assolou o nosso país em tempos recentes, bem como o pagamento de altas remunerações extras inescrupulosas e socialmente condenadas, por trabalhos que já estariam pagos por salários já recebidos por aqueles que os realizam, o termo jetom está fortemente associado a uma remuneração moralmente reprovada e indevidamente paga, segundo os moldes dos bons costumes sociais e da moralidade, especialmente no serviço público. Sendo assim, a SECOM age como a pior espécie de imprensa marrom.
Não aceitamos o termo jetom para designar – e menos ainda para substituir – ajuda de custo. Mas, neste ponto, por que “ajuda de custo”? Porque os membros do Comando Local de Greve (CLG) estão submetidos, nas atividades de greve, à realização de despesas financeiras que extrapolam seus gastos rotineiros. Vejamos o caso dos companheiros, integrantes do Comando de Greve, responsáveis pela Garagem: eles se deslocam fora do horário de expediente, inclusive em feriados, finais de semana e altas horas da noite, para cumprirem as tarefas de greve. Imaginemos também outros membros que necessitam se deslocar pelos campi e se dirigirem a órgãos públicos e do judiciário, em seus próprios carros, em atividades de greve, como panfletagens, distribuição de boletins, fixação de cartazes, entrega de documentos etc. Seria justo que estes companheiros arcassem com essas despesas, em atividades de interesse coletivo da categoria, com recursos próprios? Acreditamos que não.
No que diz respeito à prestação de contas exarada no seu artigo, ressaltamos que o Sintfub cumpre estatutariamente os procedimentos legais para publicização de seus balanços e qualquer mudança nos procedimentos implica em mudança no estatuto da entidade.
Foi pensando nisso que a ajuda de custo foi instituída e é paga aos representantes dos trabalhadores em luta, tendo por base a participação efetiva nas atividades de greve, e não a simples aparição a uma ou outra reunião do Comando de Greve, como fala a SECOM. Mais ainda, a ajuda de custo está respaldada por aprovação em Assembleia Geral da categoria, logo no início da greve, tendo sido unânime o entendimento quanto à procedência do seu pagamento, para os representantes da categoria nas ações do movimento grevista, particularmente nas atividades encaminhadas pelo Comando de Greve. Portanto, o pagamento dessa ajuda de custo está vinculada a uma iniciativa dos próprios servidores, e não do sindicato. Provavelmente essa é outra informação que foge do seu conhecimento. Reafirmamos, a informação de pagamento de ajudas de custo sempre foi pública e de amplo conhecimento da categoria, por meio das assembleias gerais, desde o início da greve. Vale também ressaltar que os integrantes do Comando de Greve estão sujeitos à assinatura de lista de presença nos turnos da manhã e da tarde.
Concordamos com a sua opinião relativamente à SECOM de que esta deveria ser um portal de informação, e não uma empresa de jornalismo. A intenção da SECOM, ao fazer jornalismo barato é o de claramente desmoralizar a greve e o Comando de Greve, além do objetivo de indispor a categoria com os seus representantes que fazem a luta. A SECOM não obteve sucesso em sua investida: a categoria enxergou as tentativas de desmoralização e desmobilização do movimento, respondendo afirmativamente a continuidade da greve e de todo apoio aos lutadores que têm levado adiante, com tantas dificuldades e adversidades, essa longa, cansativa e dura greve contra o corte salarial de 26,05%.
Em razão desse lastimável episódio, verdadeiro golpe baixo ardilosamente arquitetado com o único propósito de causar confusão e discórdia na base do segmento técnico-administrativo da UnB, lamentamos a reprovável investida da SECOM, que certamente não corresponde às posturas e aos princípios com base nos quais a administração superior da UnB foi eleita pelos servidores, integrantes de uma categoria tão duramente atingida pelas políticas de cortes de direitos implementadas nos últimos tempos.
Comando Local de Greve do Sintfub