A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas - Adua Seção Sindical manifestou solidariedade ao professor José Exequiel Basini Rodriguez, do Departamento de Antropologia. O docente havia solicitado a um aluno policial, que portava arma de fogo e facão, a sua retirada da sala de aula, na última segunda-feira (23/8). O caso provocou polêmica na universidade, sobretudo por conta da mídia local, para quem o aluno se apresentou como vítima de abuso.
Vários professores estiveram na Adua, durante essa semana, para manifestar solidariedade ao professor Basini. "O discente não estava no exercício de suas funções militares, mas na condição de aluno", argumentou o professor em Rubens Castro, que produziu uma moção de apoio junto com o professor Jorge Gregório, ambos da Faculdade de Educação. "A Ufam não é um ambiente de guerrilha e não necessita de repressão armada. A universidade e o Departamento de Antropologia devem tomar providências para regulamentar tal matéria", complementou.
O Departamento de Antropologia da Ufam também se manifestou em nota. Conforme os docentes, o professor tem plena autonomia didático-pedagógica no espaço da sala de aula. "Os espaços universitários, desde a Idade Média, têm-se mantido como um espaço de paz, neutro e de asilo para todos aqueles que se sentem perseguidos por questões político-ideológicas, religiosas, etc", afirmaram em nota. Na opinião do departamento, A Ufam deveria recolher as armas dos estudantes policiais, para que eles não as exibam como complemento da farda.
Leia abaixo a nota de solidariedade da Adua:
NOTA
Sobre a polêmica ocorrida na segunda-feira, dia 23, à noite, envolvendo o docente José Exequiel Basini Rodriguez, do Departamento de Antropologia da Ufam, e um aluno do curso de geografia, convidado a se retirar de sala de aula por estar fardado de policial e portando arma de fogo, esta Diretoria manifesta-se solidária ao ato do referido professor, pois compreende que, em nenhuma hipótese, deve-se acobertar a ideia de que, num espaço destinado ao aprendizado – como é o da Universidade -, cabe a presença de alguém armado em sala de aula. E com qualquer tipo de arma.
Assim, recriminamos as atitudes do aluno, que preferiu apresentar-se à mídia local como “vítima” da questão e não compreende que a sala de aula é um espaço de paz, de troca de informações e de formação profissional, além do professor ser seu responsável, levando em consideração os objetivos de cada disciplina.