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Primeiro secretário da ADUnB fala sobre 55º CONAD

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Do dia 24 a 27 de junho desse ano, 49 seções sindicais, 42 delgados e 100 observadores participaram do 55º CONAD na Universidade Estadual do Ceará (UECE), em Fortaleza. Com a eleição da nova diretoria para o biênio 2010-2012, o encontro teve como pauta a atualização do Plano de Lutas do ANDES - Sindicato Nacional.


O primeiro secretário, Rafael Morgado, falou do encontro realizado em Fortaleza.

 

 

 

Como foi a participação dos professores da UnB e como foram as discussões?
Esse foi o primeiro encontro do ANDES que eu participei. Então eu tinha esperança de que acontecesse algum tipo de debate. Mas o que eu encontrei foram discussões estéreis. O que havia era um caderno com textos e proposições e a gente seguia o que estava escrito lá. Eu não tinha direito a voto. Senti que também não iria fazer a menor diferença se eu tivesse voto ou não. As questões não eram debatidas. Já tinham tudo formulado há muitos anos, com textos obsoletos, com uma visão antiquada do movimento sindical e estávamos lá só para dizer que tinha sido aprovado. O que para mim ficou claro no CONAD foi o isolamento do ANDES da sua base. A diluição da representação das federais e discussões estéreis. Morosidade, excesso de burocracia e proposições obsoletas. E as proposições do ANDES pouco ou nada têm a dizer sobre os reais problemas enfrentados pela categoria.


Qual foi o clima do encontro?

Foi tranqüilo desde que não se falasse nada contra o tal caderno. Na minha sessão, em momento algum alguém fez objeção às proposições. Para mim, o clima do evento era religioso, de contemplação da nossa "bíblia". Não existiam discussões. A atualização era apenas no texto redigido em 1988. Em termos de conteúdo, não tinha mudança nenhuma.


Sentiu falta de alguma coisa na Carta de Fortaleza?
Claro. A questão da carreira, que é um dos pontos mais importantes que a gente tem. E o plano de lutas salarial. Na minha sessão, as discussões sobre isso eram superficiais. A idéia que o ANDES tem de carreira existe há 20 anos. E não é verdade que o Governo está tentando fazer a reestruturação da carreira sem negociar com o ANDES. Pelo contrário, se você comparar o que eles repudiam na carreira com o projeto do Governo, você não entende o que o sindicato está falando. Porque o Governo tem pontos muito concretos. E o ANDES não é capaz de criticar ponto por ponto. É uma crítica geral, vazia e superficial.


O ANDES alega que o Ministério do Trabalho tenta deslegitimar a sua base.  Concorda com essa declaração?
É outro problema grave que o ANDES tem. Ele acha que é o Ministério do Trabalho que está fragmentando a sua base. A questão é outra: o ANDES não tem mais representatividade. Como não há discussão dentro do sindicato e como ele está totalmente obsoleto, o ANDES vem cada vez mais se afastando da sua base. E diversas sessões sindicais estão se desfiliando. O processo está acontecendo não por interferência do Ministério do Trabalho ou do Governo. É um erro de avaliação deles. É a própria base que já não se sente mais representada pelo Sindicato Nacional e decide, de maneira soberana, sair. É o caso de Santa Catarina, Ceará, e outros. Não conseguem enxergar que, simplesmente, o sindicato está se fragmentando. Para exemplificar, na eleição do ANDES, tivemos pouco mais de 200 votos. Na eleição da ADUNB,  tivemos mais de mil. Não há representatividade do sindicato nacional. Outro problema que certamente leva à fragmentação é que os representantes das universidades federais eram poucos. Estávamos totalmente diluídos em meio a representantes de universidades estaduais, municipais, até de ensino básico, médio. E as discussões que interessam aos docentes das universidades federais,acabam ficando diluídas em meio a um monte de outras discussões e a gente não se sente representado pelo sindicato. Você pode ler na carta de Fortaleza que o objetivo do ANDES não é defender o docente, a carreira ou o plano de luta salarial. O  interesse deles é ampliar a base.


O ANDES faz críticas ao modo como o é feito o Ensino à distância. O que o senhor pensa disso?
Sempre que quando o Governo Federal aparece com alguma novidade, a primeira postura do ANDES é ser contra. Eles têm essa postura de rejeição a qualquer coisa. E eles argumentam que vai haver precarização do ensino, que isso é privatização da universidade pública, mas a postura do ANDES em relação ao Ensino à Distância é a mesma com relação à carreira: vazia em conteúdo, mas não específica. Mas o Ensino à Distância é uma ferramenta útil. Imagine no interior do Amazonas. É difícil levar educação para as pessoas que estão longe dos grandes centros. E o Ensino à distância é sim uma boa alternativa. O que deve-se pensar é no seu formato. Pensar um modelo adequado e ver se esse modelo está funcionando ou não. De que forma a gente pode usar essas tecnologias, ferramentas, internet para levar educação onde precisa? Então veja que o ANDES adota uma postura intransigente com críticas vazias e gerais.


 

 

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