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Professora Valdenízia Peixoto fala do 55º CONAD

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Do dia 24 a 27 de junho desse ano, 49 seções sindicais, 42 delgados e 100 observadores participaram do 55º CONAD na Universidade Estadual do Ceará (UECE), em Fortaleza. Com a eleição da nova diretoria para o biênio 2010-2012, o encontro teve como pauta a atualização do Plano de Lutas do ANDES - Sindicato Nacional.

A professora assistente do Departamento de Serviço Social , Valdenízia Peixoto, fala abaixo, do encontro realizado em Fortaleza.

 

 

 


Como foram as discussões e como foi a participação dos professores da UnB?
As discussões giraram em torno do plano de cargos e carreiras e do plano de luta do ANDES. Com a composição de uma nova diretoria do ANDES a discussão acabou sendo em torno da continuidade e do plano de lutas.


Como foi o clima geral do evento?
Achei muito tranqüilo, com o pensamento de que estamos lá pra somar, contribuir. Diferentemente de outros encontros, até mesmo do CONCLAT que foi bem eufórico, quente. Não que as divergências não sejam positivas, mas não teve um teor de animosidade. Pelo contrário, as discussões eram só para aprofundar determinado tema. Foi a primeira vez que eu fui. Para mim, particularmente, foi uma grande experiência. Nunca tinha tido um contato mais próximo com o movimento docente, com o movimento sindical. Até porque só estou há 3 meses na universidade.


De uma forma geral o encontro teve uma perspectiva positiva?
Totalmente positiva. Pena que nem todo mundo pode participar. Mas são sempre discussões apeladas para nossa movimentação política, o que é fundamental. A classe está se unindo. E não ter a concepção de só um segmento - dos professores - mas ter uma concepção de classe: trabalhadora. É importante que as particularidades dos sindicatos estejam atreladas à totalidade da discussão política que passa pelo nosso país. É necessário que nós, sindicatos e professores, tenhamos a responsabilidade social de estar com outros segmentos da classe trabalhadora, combatendo as investidas do governo em torno da educação, saúde.


Quais propostas que deveriam ser discutidas e não entraram na carta de Fortaleza?
Não acho que nada tenha sido deixado pra depois. A idéia agora é colocar em prática o plano de lutas, as propostas que foram encaminhadas na linha do plano político da entidade de organização e combater esse plano do Governo de cargos e carreiras - que é uma degeneração do que a gente já tem e não é um plano igualitário. Umas das principais propostas são essas: reorganizar politicamente a categoria e informar o professor, por meio de panfletos, jornais, reuniões nos próprios sindicatos.
Essa divulgação das informações é muito importante. Com o Reuni, aumentou enormemente o número de professores nas universidades federais. Então esses novos professores não tem noção da concepção política que é o sindicato, do que é a carreira acadêmica. A idéia é atuar junto desses novos professores que vão ser os mais atingidos com esse Plano de Cargos e Carreira do Governo Federal

O ANDES alega que o Ministério do Trabalho tem intenção de deslegitimar a base do ANDES. Como você se posiciona em relação a isso?
O Governo tenta deslegitimar toda e qualquer organização popular política, todo grupo político social que o enfrente. Isso perpassa também inclusive pela criminalização das greves, dos movimentos. A gente tem como exemplo a criminalização do MST. A greve da UnB quase foi considerada ilegal. O Governo não só desqualifica esses movimentos como quer criminalizá-los. Tratar essas questões como caso de polícia.


Quais as ações de combate - em relação a essa deslegitimação - foram discutidas no evento?

Fazendo uma leitura das intenções do ANDES acho que quanto mais as informações forem sociabilizadas, divulgadas para a sociedade acadêmica, é uma forma de estarmos nos fundamentando, conhecendo a realidade. Quando as informações são repassadas, fica mais fácil identificar o seu "inimigo". Inimigo não no sentido de combate, guerra, mas de saber o que o Governo está apresentando, o que a gente está perdendo. A informação é o carro-chefe pra gente poder se organizar.


Por que você acha que o ANDES critica a forma como é feito o ensino à distância?

Não é só o ANDES. Por exemplo, o Conselho Federal de Serviço Social - CFESS , é uma entidade que também combate o ensino à distância. A nossa entidade estudantil, do Serviço Social, também combate. E outras organizações também são contra. Ou seja, não é uma luta só do ANDES. Essa política tem investidas de órgãos internacionais: Banco Mundial, FMI...De forma bem didática, quer dizer: "vamos lá popularizar esse ensino". Há também um pacote de investimento no ensino superior dos países de terceiro mundo. Esse pacote é de quantidade e não de qualidade. Vai deixar todo mundo com seu nível superior, mas a qualidade acadêmica, política, é totalmente deficitária.
A idéia é que o índice de analfabetismo caia e aumente o número de pessoas com terceiro grau aumente. O ensino à distância faz parte desse aumento quantitativo. Não investe na relação presencial, no debate em sala de aula.
A filosofia da universidade é baseada pelo tripé ensino, pesquisa e extensão. O ensino à distância prioriza só o ensino. Não há, por exemplo, como supervisionar um estágio à distância. E, pior ainda, não dá oportunidade à troca de idéias, a vivência da universidade como um todo: a parte política, cultural, as relações sociais. Isso fragmenta o ensino, a organização de professores.

 

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