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Caixa de Pandora - Em ritmo de Carnaval

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Jornal de Brasília

Cerca de 500 pessoas participaram de manifestação no Eixão

Cerca de 500 manifestantes, ligados à entidades sindicais e estudantes, percorreram o Eixão Sul, na manhã de ontem, protestando contra o suposto esquema de formação de caixa dois no GDF. O grupo aproveitou a oportunidade para anunciar um bloco de Carnaval, em alusão às denúncias da Operação Caixa de Pandora, que vai desfilar no domingo junto com o Pacotão, tradicional bloco de Brasília.

A concentração começou às 9h na altura da quadra 102 sul. Com um carro de som, e ao som de marchinhas de carnaval e composições de cunho político, os manifestantes caminharam até a quadra 109 sul, onde finalizaram o protesto. Bandeiras e blusas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do PT deram um tom vermelho à manifestação.

A diretora da CUT, Rejane Pitanga, disse que o ato realizado ontem foi apenas mais um protesto que a entidade está promovendo para pressionar o GDF a investigar as irregularidades desde o governo anterior. "Desde o dia 30 de novembro começaram nossas manifestações de várias formas". Agora, diz a líder sindical, tendo em vista o surgimento de novas denúncias, a cada dia o movimento ganha mais força.

O bloco de Carnaval Fora Arruda contará com o apoio dos Acadêmicos da Asa Norte. A porta-bandeira, Tais Campelo, 19 anos, comenta que sua escola de samba, a do Sindicato dos Bancários, tem uma espécie de irmandade com o movimento, pois um de seus diretores é membro do sindicato. Ela promete um Carnaval animado, com muito samba para fazer a festa.

Acompanhando a trajetória de protestos, o público foi bastante diverso e contou com participação de políticos locais como Érika Kokay (PT), Agnelo (PT), Chico Vigilante (PT) e Reguffe (PDT).

FANTASIAS

Faixas e cartazes fazia citações sobre a Operação Caixa de Pandora. Alguns manifestantes, aproveitando o período pré-carnavalesco saíram fantasiados, e deram um tom alegre à manifestação. Um dos simpatizantes foi o livreiro Ivan Presença, 61 anos. Ele disse estar presente na manifestação pelo seu "faro ideológico", apesar de não fazer parte da organização. Ele diz estar indignado com as denúncias. "Temos que colocar o povo na rua democraticamente para conseguir um fim através da pressão popular", disse.

A antropóloga Rosana Castro Silva, 22 anos, disse que é muito importante a movimentação feita pelos estudantes, porque a população está desempenhando seu papel e se mobilizando. "Isso é importante para não deixar o assunto morrer na praia. Mostrar que estamos acompanhando".

A artista plástica Kelly Cristina, 32 anos, diz participar da manifestação porque acredita no movimento, e não nos partidos envolvidos.

Durante a manifestação, estudantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB se uniram para fazer barulho na passeata.

SAIBA +

Os participantes da manifestação, organizada pela CUT-DF e sindicatos filiados, lançaram, ontem, um bloco carnavalesco.

O bloco, segundo eles, foi criado especialmente para aqueles indignados e que querem mudanças na política do DF. O novo bloco, que tem apoio do Acadêmicos da Asa Norte, desfila junto com o tradicional bloco brasiliense Pacotão, no próximo domingo.

Sionei Leão

Mais uma baixa no GDF

Os desdobramentos da Operação Caixa de Pandora provocaram um novo desfalque no GDF. Desta vez, o alvo foi o secretário particular do governador José Roberto Arruda, Rodrigo Arantes.

Ele pediu afastamento do cargo no fim de semana, "até a completa apuração dos fatos", divulgou em nota à imprensa.

Arantes é apontado como um dos articuladores da suposta tentativa de suborno ao jornalista Edimilson Edson dos Santos, o Edson Sombra. O nome do secretário foi citado pelo funcionário do metrô Antônio Bento, que foi preso em flagrante na última quinta-feira ao entregar R$ 200 mil a Sombra.

No texto, Arantes declara que foi envolvido "indevida e maldosamente numa história fantasiosa e absurda, construída como parte da farsa arquitetada contra o governador José Roberto Arruda".

Rodrigo Arantes é pessoa de confiança do governador. No GDF, ele controlava a agenda e o acesso a Arruda. Pela proximidade, ele é afetuosamente chamado de sobrinho pelo chefe do Executivo.

Segundo Arantes, o pivô da denúncia, Antônio Bento tentou várias vezes um encontro. "O governador não o recebeu e eu deixei claro para ele que não haveria audiência, em face do volume de compromissos na agenda. Fontes do Buritinga informaram que Arruda foi contra a demissão. No entanto, o secretário insistiu no afastamento para não criar embaraços e fomentar suspeitas.

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