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Caixa de Pandora - Raad está de volta à Câmara

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Jornal de Brasília

Suplente tira Geraldo Naves do posto após o suposto suborno de Edson Sombra

O suplente Raad Massouh (DEM) retomou ontem a vaga de deputado distrital na Câmara Legislativa, provocando a saída de Geraldo Naves (DEM), após as denúncias que o envolveram em uma suposta tentativa de suborno para obstruir as investigações do mensalão do DEM. Pouco antes, Naves se pedira seu afastamento das comissões que integrava na Casa.

A portas fechadas, na tarde de ontem, a Mesa Diretora da Câmara procurava uma solução para manter nos trabalhos da Casa mais um Democrata em situação complicada.

Geraldo Naves assumiu que encaminhou, a pedido do governador José Roberto Arruda, um suposto bilhete para Edson Sombra, que mais tarde disse que teria sido a prova de um suborno. Mas o suplente afastado nega (veja matéria abaixo), classificando a história como "uma aberração, uma infâmia".

Naves foi indicado como integrante titular da Comissão de Ética, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Codeplan e também da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a qual, inclusive, presidia.

Ou seja, participava diretamente das investigações que têm por objetivo elucidar todas as dúvidas referentes ao escândalo político da capital.

Durante a convocação emergencial da Mesa Diretora chegou o comunicado de Raad informando a suspensão da impossibilidade temporária de assumir o mandato parlamentar.

No início do exercício deste ano, o distrital estava afastado dos trabalhos, pelo período de 121 dias, por licença médica. Raad disse que melhorou e está apto a reassumir a vaga. Ele é o primeiro suplente do Democratas na Câmara. O titular é Paulo Roriz (DEM) que assumiu a secretaria de Habitação. Naves é o segundo suplente.

Raad alegou que seu retorno ocorreu pela necessidade apresentada após as denúncias contra Naves. No momento, o distrital acredita que "a população precisa desse trabalho", disse. O retorno deverá ser publicado no Diário Oficial da Câmara Legislativa na próxima segunda-feira, quando ele volta à Casa.

A situação política na Câmara está cada vez mais conturbada. A nova denúncia certamente trará prejuízos ao andamento das comissões, que já andavam morosamente. Apesar dos trabalhos na autoconvocação, as investigações sobre o suposto mensalão do DEM ainda não deram resultados, e, mais uma vez, as comissões terão um atraso para a realização de mais uma substituição de parlamentar. Será difícil a escolha.

As vagas abertas são do bloco partidário de representantes da base aliada. Através da proporcionalidade partidária, a oposição garantiu a presença de um integrantes nas principais comissões, que possuem quatro membros nas suas formações.

"As coisas estão se complicando. Temos que mastigar as novas notícias", disse Benedito Domingos (PP). O deputado, que foi um dos oito citados no inquérito nº 650 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) como beneficiário de um suposto esquema de formação de caixa dois, confessou a dificuldade de dar seguimento= nas investigações. Dos 24 deputados da Casa, agora somam-se 11 (oito titulares e três suplentes) que responderão a processos por quebra de decoro parlamentar.

INTERVENÇÃO

A favor de uma intervenção do Poder Judiciário, o deputado José Antônio Reguffe (PDT) entende que "a solução dessa crise deveria passar pelo Judiciário". De acordo com ele, um outro Poder seria isento da correlação de forças políticas, diferente da interferência política partidária que existe no Legislativo. Para Reguffe, a cada denúncia a Câmara está desmoralizada para tratar dos processo de impeachment contra o governador Arruda e, principalmente, para julgar seus pares sobre a cassação dos mandatos.

SAIBA +

O Diário da Câmara Legislativa publicou ontem os indicados do Bloco Progressista Republicano (PR/PRP/PP) para ocuparem a liderança e a vice-liderança da legenda: respectivamente, Aylton Gomes (PR) e Batista das Cooperativas (PRP).

O bloco é a agremiação com o maior número de deputados da Casa, cinco. Em seguida estão o Bloco Social Trabalhista (PSDB/PTB) e o Partido dos Trabalhadores (PT), ambos com quatro parlamentares cada.

Batista e Gomes estão juntos também na Primeira Secretaria - cargo do qual o primeiro é titular e Gomes, suplente.

Naves nega suborno

Ontem, pouco antes de deixar a Câmara Legislativa, Geraldo Naves (DEM) confirmou que o governador José Roberto Arruda (sem partido) escreveu o bilhete que ele entregou ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra. O documento, segundo Sombra, fez parte da negociação da propina e seria uma das provas da tentativa de suborno.

Naves disse que entregou pessoalmente o bilhete, revelando que o recado do governador foi escrito no início de dezembro e seria uma sinalização de que "ele não estaria chateado" com o jornalista. "O bilhete é verdadeiro, mas a história não é essa. Não há e nem nunca houve suborno. Ele (Sombra) estava preocupado com a verba de publicidade", explicou Naves. O suposto bilhete tem seis frases: "Gosto dele", "Sei que tentou evitar", "Quero ajuda", "Sou grato", "Geraldo está valendo" e "GDF OK".

LIBERAÇÃO DE PATROCÍNIO

Segundo o deputado, a frase "Sei que tentou evitar" seria o reconhecimento de que Edson Sombra tentou fazer com que Durval Barbosa não fizesse a denúncia do mensalão, e o "GDF OK" tratava da liberação de patrocínio. Naves negou que o conteúdo da mensagem tratasse de suborno.

"O item que diz ’Quero Ajuda’ foi uma forma carinhosa de falar com os amigos e com outras pessoas que pudessem ajudar nesse momento difícil que está passando pela crise.

Foi um bilhete tão normal, ingênuo, não tem nada a ver uma coisa com outra", disse o suplente de deputado afastado. Advogados de Arruda negaram que o documento seria um bilhete para Sombra, alegando que era uma anotação feita pelo governador e que o suplente afastado pegou sem autorização.

Ao entregar o documento à Polícia Federal. Edson Sombra disse que a mensagem era uma prova de que o governador estava tentando suborná-lo. Sombra foi quem encorajou Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo do DF, a revelar como funcionava o esquema de caixa dois no governo local.

 

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