Jornal de Brasília
Sombra diz que, "como tudo na vida" essa turbulência vai logo passar
"T udo na vida passa e essa turbulência um dia passará". Foi com essa frase que o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, encerrou a entrevista que concedeu ao Jornal de Brasília, por telefone, na tarde de ontem. Sombra passou grande parte da sexta-feira respondendo a perguntas da imprensa.
Ele é o alvo das atenções após o último capítulo da Operação Caixa de Pandora, com a prisão em flagrante de Antônio Bento da Silva, após uma suposta tentativa de suborno. Bento foi preso quando entregava R$ 200 mil para o Sombra, numa cafeteria do Sudoeste. Mas essa seria apenas parte do pagamento, cujo montante total poderia chegar a até R$ 3 milhões. A segunda parcela seria repassada quando Sombra entregasse ao interlocutor do governo a cópia do depoimento prestado à Polícia Federal.
O vazamento do depoimento de Bento à Polícia Federal, ocorrido na última quinta-feira, juntamente com as denúncias de Edson Sombra, atingiram o governador José Roberto Arruda (sem partido) Sombra apresentou aos jornalistas cópia do bilhete que seria de autoria de Arruda. Os originais estão na PF, como parte do inquérito. Ele afirmou que estaria sendo contatado por emissários do governo desde o dia 8 de janeiro. A primeira tentativa de aproximação teria ocorrido por meio do suplente de deputado distrital Geraldo Naves (DEM), que teria entregue um bilhete do governador com sinalizações.
Naves confirmou ontem que o bilhete era de Arruda, mas negou que se tratasse de suborno. Ele, que era líder do governo na Câmara, deixou ontem o mandato na Câmara Legislativa.
SECRETÁRIO ENTRA DE FÉRIAS
Segundo Sombra as conversas foram informadas ao secretário de Comunicação do GDF, Welington Moraes, que o teria colocado para falar com Arruda por telefone. Ontem, Welington, que negou as acusações, entrou de férias.
A terceira tentativa coube, segundo Sombra, a um amigo em comum, o conselheiro fiscal do Metrô, Antônio Bento Silva. Sombra desconfiava de que pudesse se tratar de uma armadilha – caso aceitasse o suborno, isso seria usado para desacreditar as denúncias do ex-secretário de relações institucionais do GDF, Durval Barbosa, de quem o jornalista é amigo. Foi ele quem teria incentivado Durval a delatar a suposta formação de caixa dois no governo.
Sombra, que é proprietário do jornal O Distrital e tinha como gerente comercial o mesmo Antônio Bento que ajudou a prender, esteve na Polícia Federal na segunda-feira passada e, na ocasião, pediu remarcação do depoimento. Ainda não há a previsão da nova oitiva dele na Operação Caixa de Pandora.
Sombra também já foi diretor da Rádio OK FM, que teria ligações com o ex-senador Luiz Estevão, o que é utilizado por defensores de Arruda como justificativa para o atual posicionamento do jornalista.
SAIBA +
Até a tarde de ontem, quem acessava a página do jornal O Distrital, de propriedade de Sombra, se deparava com anúncio publicitário, no alto da página, que chamava a atenção.
O contraditório não era exatamente o conteúdo, mas os anunciantes: Havia ali propaganda do programa de televisão Barra Pesada, de Geraldo Naves (DEM) e do GDF.
No blog pessoal do jornalista, a definição, por ele mesmo: Edson Sombra é jornalista e atua nos bastidores da política
Sem novas opiniões
Na entrevista ao Jornal de Brasília, Edson Sombra preferiu não emitir opinião sobre as novas denúncias ou sobre o resultado final das investigações da Operação Caixa de Pandora. "Não sei do conteúdo do inquérito, apenas sei sobre a minha efetiva participação e me atenho a ela", argumentou.
Sombra reiterou que a filmagem da tentativa de suborno foi feita pela Polícia Federal. No entanto, as imagens do secretário de Comunicação do GDF, Welington Moraes, e de Antônio Bento, veiculadas na imprensa ontem, foram feitas por ele.
"Fiz por livre e espontânea vontade, por precaução", explicou. O jornalista ainda fez considerações a respeito da nota oficial divulgada pelo GDF, na qual o governador se defende e acusa suas intenções. "O governo está insistindo em divulgar notas mentirosas", contra-ataca.
Sobre sua suposta participação no inquérito da Operação Caixa de Pandora, ele nega. "Não tive e não tenho nenhuma ligação com esse esquema", se defende.
De acordo com Sombra, o governador teria falado, por meio de Geraldo Naves, que Durval teria delatado o esquema a mando do ex-governador Joaquim Roriz.
Ele nega. "Essa é mais uma vontade desesperada do governador de se apegar ao nada. É o desespero", avalia.
O jornalista não nega que é amigo de Durval Barbosa. "As minhas amizades, escolho eu. E o Arruda fala mal do Durval hoje, porque antes, eles também eram amigos".









